Por Humberto Moreira.
Suas terras eram habitadas pelos índios jacutinga. Com o processo de ocupação da Baixada Fluminense, Brás Cubas recebeu a sesmaria em 3 de agosto de 1568, mas não tomou posse do território. Parte da área só foi ocupada em 1634, quando João Alves Pereira fundou a Fazenda São Matheus.
Em 24 de fevereiro de 1647, foi criada a Freguesia de São João Baptista de Trairaponga, que em 1667 passou a ser denominada São João Baptista de Meriti.
Em 15 de janeiro de 1833, a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú foi elevada a categoria de Vila e, dentre as Freguesias que passaram a constituir sua jurisdição, constava a de São João Baptista de Meriti, na qual se localizava a Fazenda São Matheus.
O Conde de Bonfim comprou a Fazenda em 1854 e, nove anos depois, passou para o seu irmão, o Barão de Mesquita (parece esquina da Tijuca!). Já em 1900, a Fazenda foi vendida aos senhores Lázaro de Almeida e João Alves Mirandela, que em 1913, lotearam as terras.O Coronel Júlio de Abreu comprou vários lotes e trouxe outros compradores com o objetivo de erguer uma cidade. Construiu a primeira casa de pedra e cal, à qual deu o nome de Vila Ema, que é o marco de fundação de Nilópolis.
A localidade começou a tomar ares de uma pequena cidade. Em homenagem ao Presidente da Província, Dr. Nilo Peçanha, em 13 de junho de 1914, com 19 alunos, foi
fundada a primeira escola particular, o Externato Nilo Peçanha.
Em novembro de 1914, o diretor da estrada de ferro, engenheiro Lucas Neiva, conseguiu que os trens passassem a fazer uma parada em São Matheus. A estação passou a ser denominada Engenheiro Neiva e o lugarejo passou a ser assim conhecido.
Em 1916, visando o progresso do lugar, formou-se uma agremiação chamada de Bloco Progresso, presidida pelo mesmo Coronel Júlio de Abreu e tendo como presidente de honra, o Dr. Nilo Peçanha, que levou o serviço de água potável, igrejas, comércio, imprensa, pontes e uma estrada ligando a localidade a Anchieta, além de uma escola pública. Nesta época o lugarejo possuía 5.183 habitantes e 1.352 casas.
No dia 27 de agosto de 1916, mais uma vez, com a presença do Dr. Nilo Peçanha, o progresso chegou de vez, através da iluminação elétrica. Em seguida, em 9 de novembro, Engenheiro Neiva deixa de pertencer a São João de Meriti, passando a ser o 7° distrito de Nova Iguaçu.
Festa na Baixada
Com uma grande festa, onde participaram todos os moradores, em 1° de janeiro de 1921, o distrito teve o nome trocado para Nilópolis, em uma justa homenagem do povo ao Dr. Nilo Peçanha, ex Presidente do Brasil, de 1909 a 1910, e então Presidente da do Estado do Rio de Janeiro, que tantos benefícios levou para aquela localidade.
A emancipação veio em 21 de agosto de 1947. E hoje, com uma população de 142.000 habitantes e o IDH de 0,788, um dos maiores do Estado, Nilópolis herdou todo o espírito progressista do campista Nilo Peçanha.
Nilo, que ainda hoje é considerado um dos Presidentes mais dinâmicos dos que governaram o Brasil, pois em apenas dois anos – 1909 e 1910 -, ele inaugurou o Teatro Municipal, criou o Serviço de Proteção ao Índio, nomeando o Marechal Rondon, como diretor. Criou o Ministério da Indústria e Agricultura e a primeira escola profissional masculina brasileira, a Escola de Aprendizes e Artífices, que hoje é o IFF e a primeira escola profissional feminina, a rede de escolas Nilo Peçanha e ainda o primeiro jardim de infância brasileiro, cópia de uma escola modelo que ele conheceu em Paris.
Portanto, com certeza, de hoje em diante não olharei com desconfiança para a Beija Flor, pois saberei que os Nilopolitanos souberam dar valor a este campista, coisa que em Campos, poucos o reconhecem como tal. Exceto o amigo Churchill, que prepara um delicioso livro com a biografia dele.